terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Innermost being

Once, there was this creature with no name. She wondered the skies and walked through her neighborhood to contemplate life. Suddenly, her body started to disappear, and she was becoming a soul without shelter. People she used to pick flowers for didn't recognize her existence. Her lack of stomach was making her sick. A inner soundtrack took place for the sounds of the world.

Seu café estava esfriando da chuva molhando a janela. Estava sentado há horas, estagnado sempre, sem andar e com previsões nulas de qualquer movimento adjacente de seus sentidos. Tudo se fazia assustador. Crianças louras que se deleitavam em riso, cada ruído saído de cada máquina não-humana e de cada máquina viva, as cores acinzentadas pela energia natural. Era molhar-se ou saber como manusear um guarda-chuva, ficar do lado de dentro por muito mais não era opção, as portas estavam semicerradas. Observar a vida certamente não é o mesmo que vivê-la, mas lhe parecia tão mais seguro... Escrever leite em superfícies quaisquer com substâncias variadas em situações de observação não movimentaria suas patas primitivas já cansadas para fora dali.

sábado, 16 de janeiro de 2010

Oposição

Acordei com ressaca do meu choro irracional. Não estou alegre, mas hoje as coisas estão mais passíveis. Acordei com rabiscos surgidos de momentos de plástico em minhas pernas não mais tão brancas. Tudo provém de períodos de instabilidade e necessidade do afeto, eu jamais poderia morar dentro de um iglu. Nada tem que fazer sentido. São frases mal escritas e mal distribuídas num pedaço, quisera eu, de papel. As palavras não estão vindo com facilidade como de costume, estão magoadas comigo, ou estou magoada comigo mesma. Odeio reações extremas e exageradas, a falta de controle de mim sobre mim vem tarde. Não sei como lidar com faltas. Harmonia não me faz sentido há anos.

Eu.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Rabiscos são palavras (e vice-versa). Meus rabiscos comprovam minha falta de abstração. O mundo não existe mais, e eu deixei minha arte naquela esquina mal iluminada. Só sei fazer curvas curtas demais.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Não sou um Gato

Provido de achismos, ouso dizer que tudo que temos é essa tela rabiscada, cheia de pinceladas coloridas e despadronizadas. Digo também que dentro de nós não há espaço para guardá-la. Por conseguinte, somos criaturas dotadas de expressão. Não que as outras não sejam, mas nós, através de recursos infinitos, procuramos reproduzir nossa tela interior, diferentemente das almas menos coloridas e mais puras, seja isso bom, seja isso ruim. Precisamos de lápis, instrumentos musicais, todas as articulações que nossos corpos possuem, e, acima de tudo, palavras, mesmo que as tornemos aparentemente irrelevantes. Sendo no íntimo de um caderno secreto, sendo num megafone mobilizador de mentes eufóricas, nossas palavras pretendem nos traduzir, ou ao menos a metade traduzível de nós. Julgo-me escravo das palavras, não vivo mais sem o auxílio da concordância e coerência semânticas. Elas me ajudam a ser, com tudo que tenho direito, um emotivo e tumultuado humano.

Gato.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Piscar de olhos

Pegou papel e caneta apenas por costume, sem saber ao certo como organizá-los em seus dedos nervosos. Deveria escrever mais. Cinquenta e cinco boas produções e algumas epifanias simplesmente não eram o suficiente para suprir todos os seus pensamentos idiotas e a necessidade de pô-los para fora, nem que seja numa conversa íntima e audível consigo mesmo enquanto caminhava pelos parques da cidade. Se continuasse importunando aqueles que o amavam com conversas infinitas, opiniões pré-formadas e surdez passageira, acabaria sozinho ou mal querido. E isso, por mais que a ideia de transitar mundo afora a procura de sensações diferentes lhe parecesse o melhor jeito de aproveitar seu tempo em terra, era inadmissível para a saúde de seu coração fraco.
Com traços leves e sem forma definida, deu início a um parágrafo fulano. Mera introspecção psicológica. Ele era criação de Machado de Assis, um narrador não-confiável. Apesar de narrar com convicção, sabia que era descrido, pois nem ele mesmo acreditava em sua mente imaginativa. Seres humanos só fazem ideia de nada. Eles não sabem, e mesmo assim se auto-afirmam com a certeza de seu ego gigantesco. Que certeza? Estão todos errados e certos, verdade é um termo perigoso.
Parou. Veio, então, aquela sensação paradigmática de ser um grão de poeira cósmica e, simultaneamente, o Universo inteiro. Ele não podia simplesmente adaptar-se ao fato de que a realidade é vista através de lunetas individuais, e muito menos ao fato de que há total incerteza no fato ao qual este mesmo se dá. Ficou, é claro, confuso. Seria muito mais fácil ser um pintor abstrato, se encontrar com seus instintos animalescos. Pensar era muito complicado. Descansou a caneta, pesado. Deitou-se na cama, fechou os olhos e resolveu esquecer-se de sua consciência, só por alguns segundos. Não funcionou.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Coisas importantes demais se encerram em si mesmas.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Peça do fim da vida na Terra

Um dia haverá nada. Seres humanos gordinhos, engasgados de lixo prateadodouradoperoladobanhadoaseiláoque, cuspirão seu refluxo podre nas ninfas da floresta, que, afogadas, padecerão, matando consigo todo o ar de mistério e sintonia natural que preenchiam o planeta. Os gorduchos de sistema nervoso diferenciado fazem parte de algo muito maior que todos eles juntos (mesmo com tamanha obesidade e gorduras excessivas). Mas isso, por estarem ocupados mordendo suas coxinhas de carniça e com olhos brilhando refletidos nas vitrines, ignoraram. Foi um caso de suicídio coletivo relativamente acidental. E então houve nada.
A crosta que envolve energia pulsante tornou-se opaca sem seus fiapos coloridos que sempre flutuaram pela atmosfera e transitaram entre corpos vivos. Talvez alma alguma jamais retornasse ao teatro que cedeu palco a tal show de horrores e massacre de luzes.
Gordinhos magros metidos a sabidos diziam a gordinhos gordos que a Terra era diferente dos planetas X e Y porque nela havia água. Havia, é. X e Y também são teatros, distantes 20 quarteirões para longe. E se as peças neles representadas tiverem sido prévias da Peça do Fim da Vida na Terra? Essas bolotas voadoras imóveis do vácuo podem ter sido palcos de catarses inarráveis se todos os seus fiapos forem coloridos do mesmo modo que a coloração dos fiapos dos gordinhos humanos. Podem sim.
É sempre reconfortante pensar na transparência como uma realidade possível para mini-fiapos como eu. Não querer acreditar no fracasso do amor cósmico no palito de fósforo em expansão é iminente e espontâneo para que um dia meu filme tenha letrinhas subindo pela tela.