quarta-feira, 27 de maio de 2009

Nunca esquecer

Ergue os olhos e olha
Olha pro que não vê
Mas mesmo assim!

Ou olha
Ou deita a cabeça nas camas mórbidas,
Tóxicas,
Dos nossos desumanos companheiros de viagem.

sábado, 23 de maio de 2009

Sexta à noite, aglomerados de quase-humanos conversando empolgados por todos os cantos, uma projeção do som do silêncio era um sonho distante. Às vezes as palavras faltam, e você, numa tentativa de se expor, mostrar, sair da casca... simplesmente não expõe coisa alguma. Lua balsâmica é dia de olhar pro céu e pro inconsciente.

domingo, 10 de maio de 2009

Pragmática

Cuidado
Tomar
Pisa
Onde

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Prés e Pós

Eu gostaria de acreditar que, na verdade, emoções são joguinhos mentais pré-programados pra te fazer ter certeza que se arriscou. Sempre me dizem (eu mesma me digo) pra viver momentos, e não planejamentos. Acontece que os pósoupré-momentos acompanhados de luas balsâmicas, martes em áries e casas dozes não são de todo proveitosos, não quando o foco deveria ser, mais do que nunca, mantido. Os astros favorecem e desfavorecem ao mesmo tempo, cabe a mim centrar-me no meu costumeiro auto-controle.
Reconhecer as conexões especiais entre almas que fazem parte da minha vida é uma coisa, senti-las é outras. Solidão é a pior coisa já inventada, especialmente quando meu (grande) lado capricorniano insiste em tentar se convencer que não precisa de ninguém. Precisa. É só.
Situações fictícias somadas a todos esses adventos não ajudam. Levam-me a duvidar da minha própria essência, da qual eu tinha plena convicção há alguns dias. Ou ela é nula ou imperceptível. Se imperceptível, nula.
Eu não sou um rostinho bonito.

Não vejo porque me personificar e enfeitar uma história que, de qualquer modo, vai continuar sendo a mesma, real e indubitavelmente confusa.

domingo, 26 de abril de 2009

Pedaço

I know it is here. The essency. I feel it, I feel it for real, I'm just not sure if someone else does. They don't. That gives me a sad certainty.

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Única verdade

Tudo começa quando começa. Para algumas pessoas, o começo é o despertar, a saída do mais próximo que jamais chegaremos de nossos vacúolos temporais.
Ludmila (todos os nomes do mundo são bonitos, basta um leve esforço pra vê-los de formas distintas, sem influências maléficas do nosso querido senso popular) abriu com suavidade seus olhos amendoados, forçando algumas remelas a se despregarem com seus cílios desprivilegiados. Alguns miados familiares. O quarto estava mal iluminado, a consciência dos afazeres e dos problemas a resolver lhe inundou, o que não a deixou nem um mínimo sequer atordoada, não a tirou de seu estado sublime. Suspirando, moveu seu corpo lentamente, fez alguns alongamentos recomendados pelo gordinho da Women's Health, levantou sem forçar a coluna vertebral. Pôs os pés no chão frio. Serena, saiu andando com completo equilíbrio e auto-controle, meio cega pela falta de luz, desviando de todos os sapatos espalhados pelo quarto afora, papeis de roteiros embaralhados por todo o cômodo, Nana e Liza, que caminhavam pacificamente com seus focinhos a farejar e rabos a balançar, atrás de algo interessante. Abriu o armário, vestiu qualquer coisa, calçou um dos sapatos largados pelo chão. Daí, o ato de glória;
Satisfeita, expondo para si mesma um singelo sorriso amargo, escancarou a janela do quarto, que ia de parede a parede, e, quase que instantaneamente, lotou o quarto antes escuro da luz pura do dia novo. Miados, uma respiração longa e profunda. Ludmila olhou corajosamente para o dia lá fora. O motor dos carros a rosnar, feio, foi sufocado por um bem-te-vi que cantava bem ali perto. As nuvens, formando complexas formas indecifráveis no céu, embelezaram essa complexidade toda com sua branqueza simples. E o ar pareceu ser a resposta mais óbvia de toda e qualquer pergunta já existente.
Deixou a janela e trotou com confiança até a cozinha, tomou um copo cheio de leite geladíssimo, sem adicionais. Fez um carinho nas gatas, beijou-as, deixou escapar um desnecessário "amo vocês" e lançou uma ultima olhadela para o apartamento.
Com um largo sorriso, saiu de casa com a única certeza que lhe consumia todos os dias. A certeza de ver aquela coisa, e de poder fazer seus chamados amores verem-na também.

domingo, 12 de abril de 2009

Pedaço

De repente, as coisas ficaram incertas. Ele ficou ali, ao lado do sinal, à espera de um olhar que lhe mostrasse a direção. Gastou quase todos os seus neurônios mentais e quase todos os seus minutos de todas as suas últimas três, quase quatro semanas. Ignorou todo o movimento dos transeuntes ao seu redor, suas vidas não lhe faziam sentido algum. Resolveu, quase que espontaneamente, sentar-se ali, bem ali na calçada dura e recém cimentada. Não ligou. Abaixou a cabeça e se auto-absorveu de novo. Sua consciência latejava. Sabia o que fazer, mas, ao mesmo tempo, algo dentro de si apontava pro contrário. Segurou a cabeça com as próprias mãos e sentiu alguns chutes alheios de pessoas que passavam por ali e não reparavam na sua existência.